Psicoterapia
Denominamos
psicoterapia uma das modalidades de trabalho do profissional
de psicologia e que consiste em encontros freqüentes
durante um período de tempo que varia segundo cada
caso e situação, e cuja duração,
no caso da psicoterapia individual fica, geralmente, em
torno de 50 a 60 minutos, e no caso da psicoterapia de grupo,
que varia um pouco mais em função da proposta
e do número de participantes, fica, em geral, em
torno de 90 a 120 minutos. Nesse tipo de trabalho, o profissional
de psicologia é comumente chamado de psicoterapeuta
ou simplesmente terapeuta, e os encontros entre terapeuta
e cliente denominados de "sessão terapêutica".
A psicoterapia pode trazer uma série de benefícios
para a pessoa que a procura, ela pode trazer uma maior e
mais profunda compreensão de si mesmo e dos outros,
a superação de conflitos, a resolução
de problemas, a cura de sintomas e a melhoria da qualidade
de vida do indivíduo.
Porém, o benefício mais imediato deste tipo
de trabalho surge da característica essencial do
espaço psicoterapêutico: muitas vezes, ele
é o único lugar onde as pessoas se permitem
ser elas mesmas, ou seja, autênticas, sem nenhuma
restrição externa, sem nenhum temor de serem
pressionadas a usar máscaras, falar meias verdades,
dissimular tendências e táticas.
Essa característica do espaço psicoterapêutico
está diretamente ligada à postura do psicoterapeuta,
que envolve acolher, compreender e acompanhar o cliente
na sua proposta de compreensão de si mesmo, de resolução
de problemas e conflitos, de superação de
seu atual estágio e de renovação. Assim,
o papel do psicoterapeuta implica em saber conviver com
as realidades essenciais da vida do cliente, realidades
estas que, muitas vezes, não encontram aceitação
nos diversos ambientes que o sujeito freqüenta, e que
precisam ser acolhidas no espaço psicoterápico.
Apesar de pensarmos que essa troca também pode existir
entre amigos, existe uma diferença importante: o
papel do psicoterapeuta não envolve dar opiniões
ou conselhos, mas possibilitar no outro a audição
de seu próprio dizer; facilitar a apreensão
do sentido daquilo que está sendo dito - sentido
que amiúde nos escapa por estarmos acostumados a
um falatório sem compreendermos e nos darmos conta,
muitas vezes, do que estamos falando e do sentido daquilo
em nossa vida.
No entanto, o psicoterapeuta não se limita apenas
a ouvir, mas facilita a expressão dos conteúdos,
se torna um participante facilitador do processo de mudança,
sabe levar o diálogo de maneira que o cliente entre
em contato com o que o está afligindo, apesar de
todas as dificuldades que ele possa experimentar na expressão.
Assim, embora não seja uma relação
simétrica, como são ou costumam ser as amizades,
pois o psicoterapeuta não coloca sua intimidade -
o cliente entende logo que se trata de uma forma de encontro
interpessoal, porque o interlocutor qualificado está
ali, de corpo presente, acolhendo, questionando, assinalando
novas possibilidades, servindo de testemunha de um processo.
Ou seja, justamente o que não costumam oferecer os
outros relacionamentos interpessoais, é o que um
psicoterapeuta qualificado proporciona a seu cliente: um
ouvido atento, acolhimento e compreensão. São
estas atitudes as que estimulam a abertura do cliente para
a expressão de seu sofrimento e da sua intimidade
mais secreta.
Só o fato de outorgar-se o direito de colocar sua
intimidade para outro, na expectativa de estar sendo compreendido,
já é uma forma de contato com sua realidade
mais própria. O psicoterapeuta encarna um outro,
um ser no qual se confia a intimidade e se espera uma ajuda,
ao mesmo tempo em que é um ser desconhecido e que
permanece velado nos aspectos mais significativos.
Contudo é importante assinalar que expressar o que
está perturbando alivia a tensão, mas a verbalização
deve manter-se num nível expressivo-emocional para
produzir os efeitos libertadores. Por esta razão
o psicoterapeuta está sempre levando o cliente a
uma integração das suas várias dimensões
com o conteúdo do seu discurso. Pois, a eficácia
do processo terapêutico não reside em seu caráter
catártico, o alívio de tensões é
apenas um fator tranqüilizante - o que pode ser um
passo preliminar num processo mais complexo. Há todo
um exame compreensivo do que está lhe acontecendo,
que é o que permite apreender e sentir os problemas
de uma outra maneira - sem sua toxidade.
O papel do psicoterapeuta é, então, o de levantar
outras perspectivas, investigar em certas direções,
iluminar passagens obscuras, colocar questões. Com
essas intervenções, o psicoterapeuta leva
o cliente a uma tomada de consciência de seu fluxo
verbal e de sua comunicação não verbal
e convida-o a reconsiderar suas questões, lhe permitindo
um contato mais afinado consigo mesmo. O psicoterapeuta
é o guia que permite percorrer um caminho às
vezes tortuoso, fatigante e desconcertante.
O psicoterapeuta é um interlocutor ativo, capaz de
mostrar novas perspectivas, mas sempre buscando facilitar
o processo de construção ou resgate da autonomia
do cliente, para que ele possa, a partir do conhecimento
de si mesmo, dos seus recursos e possibilidades, desenvolver
ou resgatar o seu auto-suporte, a sua auto-estima, e ser
capaz de continuar o seu processo de construção
e renovação de si mesmo e da sua vida, não
de forma auto-suficiente, mas de forma livre, responsável
e independente.
É importante assinalar, ainda, que o psicoterapeuta
norteia o seu trabalho, a sua postura e suas intervenções,
em pressupostos filosóficos, teóricos e metodológicos
de abordagens da ciência psicológica, e, portanto,
não tem que apelar para supostos poderes esotéricos,
de tipo oracular, mágico ou espetacular. Este saber,
construído ao longo de seu processo de crescimento
pessoal e profissional e que deve ser coerente com a sua
visão de homem e de mundo, o qualifica para acompanhar
o cliente de maneira a facilitar o seu processo de busca
por auto-conhecimento e crescimento pessoal.
Este inclusive é um outro aspecto essencial do trabalho
psicoterápico, nele o psicoterapeuta atua fundamentado
numa das várias abordagens existentes na psicologia
contemporânea, abordagens estas que podem ser a Psicanálise,
a Gestalt-terapia, a Cognitivo-comportamental,
dentre outras. Assim, o psicoterapeuta vai se especializar
e trabalhar com a abordagem com a qual mais se identifica,
vai trabalhar com aquela que mais se aproxima da visão
que ele tem do homem e do mundo.